Para além dos desportos de água, Agosto é marcado pelo ciclismo e pela Volta a Portugal em bicicleta, que nos últimos 80 anos tem percorrido o país de lés a lés. É claramente o desporto a ir ter com os portugueses e estes a entusiasmarem-se com o enorme esforço dos ciclistas sobretudo nas etapas da montanha. É sabido que a implantação nacional de Benfica e Sporting teve origem nos duelos dos ciclistas Nicolau (Benfica) e Trindade (Sporting) nos anos 30, que disputavam entre si a Volta a Portugal.
Na última década a organização da Volta procurou envolver os patrocinadores – essenciais à prova já que 100% das receitas têm origem nos patrocínios – sobretudo nas partidas e chegadas. A empresa organizadora é a Podium e o director da prova continua a ser Joaquim Gomes (que já veio, em vários anos, à nossa Pós-Graduação de Gestão e Marketing do Desporto do INDEG-ISCTE apresentar a estratégia junto dos patrocinadores).
À partida em Belmonte encontrámos Vítor Gamito, que com 44 anos e depois de 10 anos sem correr na estrada (manteve-se a fazer provas de BTT) decidiu regressar. Gamito foi um excelente ciclista que venceu a Volta de 2000 e ainda se classificou 4 vezes na segunda posição nesta mesma prova (1993, 1994, 1997 e 1999). Em 2008/9 Vitor Gamito foi aluno da Pós-Graduação de Marketing Desportivo e autor do caso “Volta Portugal em bicicleta – uma tradição renovada a cada ano” que faz parte do livro “Casos de Sucesso de Marketing Desportivo” Livros d’Hoje, Publicações Dom Quixote 2009, coordenado por Pedro Dionísio e que integrou 12 casos elaborados por alunos da Pós-Graduação.
O impacto que este retorno provocou está a ser enorme com 500.000 visualizações no Facebook de Gamito e 30.000 a acompanharem a sua prova pelo LiveTrack. Gamito confidenciou-nos que se está a sentir bem e dado não ter pressão de chegar aos primeiros lugares está a poder tirar verdadeiro prazer de correr esta Volta, tendo tempo para falar com as pessoas, que nas estradas o aplaudem e incentivam o que até lhe provoca “pele de galinha” – um verdadeiro caso de popularidade, numa altura em que os portugueses gostariam de ver correr em Portugal alguns portugueses que estão no estrangeiro.
A etapa Belmonte-Torre foi terrível com 3 contagens de montanha, 2 das quais de 1ª Especial! E para terminar a subida Seia-Torre, que mesmo no carro da organização “cansa”, agora imagine-se a subir e depois de 5 horas de prova...
No cimo da montanha as marcas patrocinadoras montaram várias animações para entreter os milhares de pessoas. Destaque para a Liberty tanto na entrega dos prémios como no jogo das bicicletas (um jogo tipo Feira Popular em que uma dezena de pessoas tenta fazer entrar 1 bola num de 2 cestos e ao conseguir faz andar mais ou menos 1 “boneco ciclista” que está por detrás, conforme se pode ver na foto).
Domingo é a etapa final com chegada na avenida da Liberdade em Lisboa (modelo francês dos Campos Elíseos) onde se devem concentrar centenas de milhares de pessoas e com uma homenagem por volta das 14h 45m a Joaquim Agostinho, à passagem pela sua estátua em Torres Vedras. No 30º aniversário da sua morte uma homenagem mais do que justa ao maior ciclista português de todos os temos (vencedor de 3 voltas a Portugal, 2 vezes 3º lugar no Tour e 1 vez 2º lugar na Vuelta)







